Wednesday, September 15, 2004

[Meu eterno Maneco....]

"(...)— Quero que todos se levantem, e com a cabeça descoberta digam-no: Ao Deus Pan da natureza, aquele que a antiguidade chamou Baco o filho das coxas de um deus e do amor de uma mulher, e que nós chamamos melhor pelo seu nome — o vinho.

— Ao vinho! ao vinho!

Os copos caíram vazios na mesa(...)"

Álvares de Azevedo - Noite na Taverna (trecho)


Os "porquês" desse trecho poderiam ser muitos.
O fato de eu não estar com aquela borboletinha no estômago agora, por exemplo, não me inspira escrever.
Eu bem que queria sentir meu cérebro fervilhando de idéias fenomenais, ou até com idéias bobas e sem nexo, mas também, o branco me impede de escrever.
Queria poder estar sofrendo novamente de "paixonite aguda" ou "fogo de palha", mas não estou.
Confesso até estar encantada com algumas pessoas que me cercam, mas eu queria mais.... melhor que as várias é sempre a única! Mas não sei se estou preparada, já disse que tenho um medo absurdo de virar a página. Acontece.
Eu poderia citar muitos "porquês", mas eu prefiro dizer que Álvares de Azevedo sempre falou por mim, na sua forma sarcástica, às vezes pueril, sempre visceral de se expressar. E pra simplesmente não dizer besterira e não perder o momento, a ele recorro, pra me salvar nesse dia que o tédio sufocou até a excitação pelo primeiro dia num emprego que não faz muito a minha cabeça, mas que vai garantir o meu lado por enquanto.
Não se pode ter tudo, né?

E olha só.... eu escrevi...!

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